Pianista Antonio Adolfo carrega jazz, suingue e brasilidade no refinado cesto autoral do álbum 'Balaios'

  • 08/07/2026
(Foto: Reprodução)
Antonio Adolfo lança em 17 de julho o álbum 'Balaios', com gravações inéditas de nove temas autorais lançados entre 1965 e 2018 Alexandre Moreira / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Balaios Artista: Antonio Adolfo Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Aos 79 anos, o pianista e compositor carioca Antonio Adolfo tem mantido a média de um álbum por ano, geralmente lançando discos conceituais. Embalado pela excelente receptividade do álbum anterior “Carnaval – The songs were so beautiful” (2025), no qual redesenhou as harmonias de sambas, marchas e frevos de espírito folião, Adolfo apresenta em 17 de julho “Balaios”, álbum mais variado em que revisita nove temas do cancioneiro autoral que compõe desde a década de 1960. São temas lançados entre 1965 e 2018. O título “Balaios” se refere aos cestos construídos de forma artesanal – com fibras naturais como cipó e palha – e carregados na cabeça pelo povo brasileiro com alimentos e diversas mercadorias. Sob prisma filosófico, os cestos carregam ancestralidade e resiliência – e é nesse sentido que Adolfo acomoda em “Balaios” o suingue e a alma do jazz entre sambas, baiões, valsas, baladas e sambas-funk. O jazz é o filtro pelo qual o compositor passa a obra autoral carregada de brasilidade ao longo das nove faixas do álbum, editado também no formato físico de CD. Em “Balaios”, Antonio Adolfo (piano, arranjos e direção musical) é o líder de noneto formado pelo instrumentista com os músicos André Dantas (percussão), Danilo Sinna (sax alto), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Jorge Helder (baixo), Lula Galvão (violão e guitarra), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Rafael Barata (bateria e percussão) e Rafael Rocha (trombone). Afinado e entrosado, até porque os músicos já são recorrentes na discografia de Antonio Adolfo, o grupo já mostra a que veio em “3D blues” (1965), tema que abre o álbum “Balaios” com vibrante mix de swing e samba-jazz com toque de baião. Cinco das nove músicas reunidas por Antonio Adolfo em “Balaios” são assinadas somente pelo compositor. Contudo, ainda que “Balaios” seja disco inteiramente instrumental, as outras quatro trazem também a assinatura de Tibério Gaspar (11 de setembro de 1943 – 15 de fevereiro de 2017), fundamental parceiro letrista de Adolfo, sobretudo no período que foi de 1967 a 1970. É o caso de “Claudia”, tema da trilha sonora do filme “Ascensão e queda de um paquera” (1970), reapresentado no álbum “Balaios” com refinada leveza em gravação que evidencia a forte influência da bossa nova na música de Adolfo, com direito ao toque da guitarra do músico californiano Thomas Rotella. É também o caso de “Vision / Visão” (1968), música apresentada em gravações quase simultâneas dos cantores Agostinho dos Santos (1932 – 1973) e Taiguara (1945 – 1996). Tema da lavra solitária de Adolfo, “San Expedito / Santo Expedito” (1995) traz o sopro sobressalente do sax tenor de Marcelo Martins em gravação que reitera a fusão de jazz e suingue brasileiro que pauta o álbum “Balaios”. Música que carrega o nome do álbum no título, “Sambalaio” (1989) mixa samba e samba-funk em gravação embalada por sopros e percussão dentro do escaninho amplo do jazz latino. Esse rótulo também abrange a releitura de “Até que venha o amor” (1980) – reapresentada com o titulo em inglês “Love will come” porque o álbum “Balaios” também mira o público e o mercado norte-americanos, habitualmente mais receptivos ao som de Antonio Adolfo – em gravação em que o pianista ambienta as quadrilhas nordestinas na atmosfera do jazz. Última parceria de Adolfo com Tibério Gaspar, a valsa-jazz “Meu canto / My chant” (2018) põe “Balaios” em tom momentaneamente mais sereno em registro feito com a adesão do saxofonista Leo Gandelman. Parceria de Adolfo com o mesmo Tibério Gaspar que se tornou finalista do II Festival Internacional da Canção (FIC) em 1967, “Caminhada” virou “Journey to the interior” em gravação que reitera a habilidade de Antonio Adolfo para estilizar o baião com as harmonias do jazz. Com título onomatopaico criado para evocar o som do baixo e da bateria no samba-funk, o tema “Zah toom toom” (1978) encerra o álbum com o groove do gênero carioca em gravação caracterizada por Adolfo como pop samba-jazz. E tudo isso – o samba, o jazz, o swing, o suingue, o baião, o samba-funk – é acomodado com naturalidade pelo pianista no cesto de “Balaios”, título coerente com a caminhada de Antônio Adolfo em quase 80 anos de vida regida pela música. Capa do álbum 'Balaios', de Antonio Adolfo Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/08/pianista-antonio-adolfo-carrega-jazz-suingue-e-brasilidade-no-refinado-cesto-do-album-autoral-balaios.ghtml


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