Pop? Rock? Sertanejo? O que ouvir durante a atividade física e como a música interfere na performance?

  • 29/10/2026
(Foto: Reprodução)
O que está tocando no seu fone de ouvido ou na caixa de som da academia enquanto você treina? A música pode interferir na performance esportiva? Um estudo realizado em 2009 pelo pesquisador Costas I. Karageorghis mostra que a playlist certa pode ajudar o tempo passar mais rápido, o atleta ganhar ritmo, a diminuir sua percepção de cansaço e melhorar o humor. Mas qual seria a música correta? Será que para todas as atividades e pessoas, as músicas de uma mesma playlist tem o mesmo efeito? Para Karageorghis, um dos pontos que coloca a música como ideal é o BPM (batida por minuto). Isso porque cada zona cardíaca de esforço tem uma quantidade de batidas por minuto ideal para ela. Ou seja, quanto maior o esforço, mais rápida deveria ser a música. É como se o seu ritmo casasse com o da música. Com isso, algumas atividades ganham um certo "padrão" de melhor trilha sonora. Mas até onde a ciência e a prática se encontram nesse sentido? O que dizem os especialistas? Qual a música perfeita pra corrida? Andrea Piacquadio/Pexels Para o professor Sérgio Gregorio da Silva, Diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UFPR, a música pode dar ânimo e ajudar a manter o ritmo. Mas esquecer o fone não é sinônimo de "treino fofo", como brincam alguns frequentadores de academias. "A música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo. Mas esquecer o fone não significa perder o treino. Nos nossos estudos, vimos que a música pode modificar tanto a maneira como a pessoa se sente quanto o ritmo que ela escolhe para se exercitar", aponta Sérgio. Na visão de Cléo Monteiro França Correia, musicoterapeuta do Setor de Neurologia do Comportamento e colaboradora do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), a resposta a isso está dentro do cérebro. Ela explica que a música promove neuroplasticidade e ativa redes cerebrais sensoriomotoras. "As batidas musicais podem promover benefícios psicológicos, físicos e na frequência cardíaca, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado e promovendo motivação e o desejo de melhorar os hábitos de vida." Os dois especialistas concordam que a música pode alterar a percepção de esforço, parecendo ficar mais "fácil", mas sem alterar efetivamente a intensidade e o resultado do exercício. "Na realização do exercício sem música, a pessoa pode perceber sinais de desconforto com mais intensidade, enquanto que, com música, ela pode ter sua atenção voltada mais para o estímulo auditivo, tornando a realização da atividade mais prazerosa, mesmo que mantenha a regularidade dos movimentos e o esforço físico. Isso porque a música melhora o estado de humor e a motivação", explica Cleo. A musicoterapeuta ressalta que "os sinais de fadiga não são eliminados, mas a música promove uma sensação de bem-estar, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado". BPM importa? Ouvir músicas durante o treino não elimina a fadiga física, mas desvia a atenção do cérebro para o estímulo auditivo, tornando o exercício mais prazeroso. Tima Miroshnichenko/Pexels O professor Sérgio Gregorio da Silva cita que não existe um BPM musical ideal para todo mundo, mas explica que, na ginástica aeróbica, um estudo realizado por ele e outros especialistas mostra que "o andamento musical pode influenciar a frequência cardíaca quando orienta o ritmo dos movimentos". Ele cita alguns números de BPM que podem fazer essa influência em algumas atividades. E o g1 traz exemplos de faixas que atendem à orientação: Caminhada: 100–130 BPM, se acompanhar o ritmo confortável dos passos: (Exemplos: "Don't Start Now" (124 BPM), de Dua Lipa; e "Poker Face" (119 BPM), de Lady Gaga) Corrida: Para cadência de 160–180 passos/min: músicas a 160–180 ou 80–90 BPM (Exemplos: "Blinding Lights" (171 BPM), The Weeknd; e "Já faz tanto tempo" (180 BPM), Lulu Santos com Fresno) Ciclismo: Para 70–90 rotações/min: música a 70–90 BPM ou 140–180 BPM (Exemplos: "I wanna be sedated" (163 BPM), Ramones; e "Dog days are over" (150), Florence + The Machine) HIIT: Sem faixa ideal comprovada; priorizar música motivadora (Exemplo: Faixas que trazem palavras de "ação", como "Born to Run", do Bruce Springsteen; "Run the World", de Beyoncé) Yoga: Não existe uma faixa ideal. Optar por músicas tranquilas ou silêncio, conforme a prática. A música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo na atividade física Dmitry Limonov/Pexels Embora tabelas ajudem a nortear a conexão entre a frequência cardíaca e o BPM das músicas, os profissionais concordam que a preferência pessoal e o fator emocional são soberanos. Uma pesquisa recente da Maximum Boxing cita que o pop é o estilo musical favorito dos brasileiros durante o treino (56,2%), seguido da música eletrônica (42%), do rock/metal (35%) e do sertanejo (31,2). A pesquisa não faz nenhuma referência a BPM. Ela ainda aponta que Alok, Anitta e Henrique e Juliano são os três mais citados pelos os participantes da pesquisa quando questionados sobre qual artista não pode faltar na playlist. Quem corrobora com a importância da conexão pessoal é o produtor musical e compositor Hitmaker. Dono de hits que embalam desde as pistas de dança até as academias do país, ele revela que, para além da matemática dos batimentos por minuto, o que define uma boa música de treino é a energia que ela transmite. "Independentemente do BPM, a energia que aquelas músicas causam na gente por causa da letra, dos instrumentos e da variação rítmica é o que importa", conta o produtor, que comanda o projeto Hitdance, voltado para treinos em academias. Hitmaker se apresenta na festa BeboDireito em Vitória, Espírito Santo Reprodução Ele ainda usa uma analogia entre a dinâmica de seus shows e a de um treino para comentar que não existe uma fórmula engessada para fazer uma playlist, seja nos treinos ou nos palcos. Nas apresentações, o DJ costuma iniciar o show para cima, faz uma pausa para o público cantar quando percebe que já estão cansados de pular, e finaliza o show para cima novamente. Já nos treinos, o ideal é começar com faixas mais calmas, para acompanhar o aquecimento, e ir acelerando no meio com músicas de alta energia até encontrar seu ritmo. Hitmaker também faz um alerta bem-humorado sobre a escolha do repertório, lembrando de um dia em que tentou treinar ouvindo músicas de Alcione para uma pesquisa musical e acabou se emocionando no meio da série de musculação. "O clima da playlist importa. Se eu acordo numa segunda-feira sem querer treinar, não quero lembrar de problemas, não quero lembrar da ex. Eu quero, assim: vamos viver, favela chegou. Acorda, dá três tapas na cara e vamos para o treino." Sintonize com você mesmo No fim das contas, seja pelo casamento do BPM com a esteira ou pela carga emocional que uma faixa traz para seu ânimo, a música funciona como um escudo contra o tédio e um canal de conexão com o próprio corpo. Como resume Hitmaker: "O principal é você conseguir se sintonizar com você mesmo, achar a música que toca você, o esporte que toca você, e o teu BPM da vida. O importante é a gente não ficar parado." Uma música pode motivar pelas lembranças, pela letra ou simplesmente porque ela gosta Nazar Aslan/Pexels

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/10/29/pop-rock-sertanejo-o-que-ouvir-durante-a-atividade-fisica-e-como-a-musica-interfere-na-performance.ghtml


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